sábado, 14 de fevereiro de 2009

Poetas, Escritores e Artistas participam do debate do Blog " semlivros" No Fórum Social Mundial, grande sucesso.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

LITERATURA NO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL, Blog "SEMLIVROS"



























Programação:
1ª PARTE

Debate sobre a Produção literária alternativa

Como Editar um Livro

A Importância da Cultura no Fórum Social Mundial.

2ª PARTE

Lançamento do Livro do Prof. Asarias Favacho.
Cotidiano Comum no Incomum:
Chegando a Hora da Saída

3ª PARTE

Apresentação do Compositor e Poeta Nordestino Wilson Aragão, Parceiro Musical de Raul Seixas no grande sucesso Capim Guiné, e tendo suas composições gravadas por Zé Ramalho, Falcão, Tânia Alves, Xangai, Zé Geraldo ...




Local: UFPA.– Campus Básico Auditório Setorial 1




Dia: 30/01 (sexta-feira)




HS.: 19:00hs. ás 20:30 hs.




Atividade do Munícipio de Ananindeua




Coordenação:




Rui Baiano Santana

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Prfº Asarias Favacho um Jovem intelectual estará lançando seu primeiro livro “O Cotidiano Comum no Incomum: chegando na hora da saída."



LANÇAMENTO

SERÁ DIA 17/01/2009 (SÁBADO)
ÀS 19:00 HORAS

LOCAL: AUDITÓRIO DA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE ANANINDEUA.
BR 316 RUA MAGALHÃES AO LADO DO LIDER DA BR 316.


FONE PARA CONTATO 8829-3460 / 88637410

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Prfº Asarias Favacho um Jovem intelectual estará lançando seu primeiro livro em Janeiro “O Cotidiano Comum no Incomum: chegando na hora da saída”





















Sobre o Autor:

Prfº Asarias Favacho um Jovem intelectual estará lançando seu primeiro livro “O Cotidiano Comum no Incomum: chegando na hora da saída.” Nascido em Belém com formação acadêmica em Sociologia e especializou-se em Gestão Educacional: Administração, Orientação e Supervisão Escolar, em 2006 passou a ministrar aulas de Sociologia e história na Universidade Estadual do Maranhão. Em fevereiro ingressou como Mestrando pela Universidade Pública de Évora – Portugal; em Ciência da Educação: Avaliação.
É professor concursado do Município de Belém, desde 1996, em 2007 assumiu o cargo comissionado na Secretaria Estadual de Educação (SEDUC), como Coordenador de Tecnologia Aplicada à Educação, em 2007 participou e coordenou vários grupos de trabalhos nas Conferências Regionais e Estadual de Educação. Em 2008 assumiu o cargo de gerente do Núcleo de Apoio Logístico da Superintendência do Sistema Penitenciário, SUSIPE.
Assarias e um intelectual engajado nas lutas sócias, Foi coordenador por dois mandatos do SINTEPP, Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará,.. e é membro da direção do PT no Município de Ananindeua - Pará.


A Obra:

Esta obra apresenta perfil sócio-literário, com raiz paraense e de um autor que escreve sobre os acontecimentos regionais, sem perder a ternura ou a essência dos fatos, objetivando o prazer literário e a informação sociológica, propiciando a interpretação e a interação com as narrativas, contribuindo com isto para as viagens no mundo real ou no abstrato. Considera também, a participação de várias categorias sociais como os educadores, bancários, ambulantes, rodoviários, policiais, gráficos, desempregados, estudantes... que emprestaram personagens comuns para construírem o Cotidiano Comum no Incomum: chegando na hora da saída.

“Contudo, vale ressaltar que a junção exposta neste livro entre a sociologia e a literatura e/ou da literatura com a sociologia não é simples, nem tão pouco impossível, visto que ambas têm mecanismos metodológicos para explicações do real ou do imaginário, considerando as diversidades filosóficas expostas na sociedade contemporânea.”

Diga-se de passagem o nome da obra é bastante sugestivo para demonstrar as necessidades de se trabalhar com o dia-a-dia dos agentes sociais, apresentando reflexões a respeito das contradições econômicas, culturais... no mundo do trabalho; dos descasos políticos; do trabalho infantil; dos juízos de valores; das questões ideológicas; do abuso de autoridade; da discriminação étnica e social...
No mais aponta alguns questionamentos à construção do conhecimento sócio-literário de forma simples, expressando um roteiro traçado a partir da vivência da personagem principal, um professor, que vive momentos angustiantes como qualquer trabalhador, com um diferencial, a persistência, não desistindo dos seus posicionamentos ou convicções como orientador de formação social, que expõe seu posicionamento, sua visão de mundo, através de diálogos e/ou debates com outras personagens no decorrer do conto.
Uma das qualidades da narrativa está, sem dúvida na lucidez, ousadia e coragem com que aborda questões importantes do nosso tempo. O livro desafia o leitor a olhar o seu cotidiano de modo mais atento, mais crítico.
Edição: Blog “semlivros”
Aquisição antecipada desta Obra.
através do emai-l: zazafavacho@hotmail.com

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

30 anos de Movimento Poetas na Praça.


30 anos de Movimento Poetas na Praça. Por Geraldo Maia
Se tivesse acontecido no Sul Maravilha (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul) o Movimento Poetas na Praça já estaria devidamente canonizado e entronizado como o mais importante movimento literário, social e político acontecido no Brasil depois da Semana de Arte Moderna de 22 que pariu um tanto festivamente o Modernismo brasileiro. Já aquele deu início à Individuação Socialista no campo das artes, da sociedade e da política. Senão vejamos: O MPP tem início em janeiro de 1979 com a tomada da Praça da Piedade pelos poetas que ali instalaram uma trincheira de resistência cultural e diariamente, por uma década (não foi só uma semana), transformou o local no primeiro "Ponto de Cultura" que se tem notícia no país, com a promoção de leitura diária de poemas, textos, manifestos, etc, realizada por poetas, políticos, artistas, e por cidadãos até então sem um espaço para expressar a sua voz e a sua criatividade.

Mas não foi só leitura, teve também a popularização do livro, oferecido em diversas formas práticas e baratas e por diversos meios de impressão, desde o mimeógrafo, à reprografia, e mesmo feitos à mão, artesanalmente. A ordem era tornar o livro acessível a todos. Mas também a literatura baiana, brasileira e universal foi levada para a praça através de exposições biobibliográficas em homenagem a diversos escritores além de leitura de textos dos principais livros dos mesmos. Com isso manteve-se a chama do livro, da leitura e a da literatura acesa na marra, pois os livros de Jorge Amado foram queimados, os de Gregório de Matos proibidos juntos com os de Cuíca de Santo Amaro. Todos os dias, a partir das 16h, todos sabiam que na Praça da Piedade algo de libertário e revolucionário acontecia ao alcance de todos e com a participação de todos.

A Semana de 22 teve nomes como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Tarsila do Amaral, Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo, Alcântara Machado, Plínio Salgado, numa primeira instância e Raul Bopp, Geraldo Ferraz, Patrícia Galvão, Jorge de Lima, Murilo Mendes, numa segunda fase, enquanto que o Movimento Poetas na Praça, em Salvador, Bahia, teve num primeiro momento nomes como Antonio Short, Eduardo Teles, Zeca de Magalhães, Geraldo Maia, Ametista Nunes, Gilberto Costa, Margareth Castanheiro, Ronaldo Braga ao lado de artistas como os dançarinos Tição, Jorge Watusi e Cafuné, os poetas e jornalistas Tony Vasconcelos, Albenísio Fonseca e Fernando Conceição, do poeta e artista plástico Jairo Rodrigues, dos cartunistas Nildão (ilustrou vários trabalhos de Antonio Short) e Caó Cruz Alves (sempre presente em capas e ilustrações das revistas editadas pelo MMP).

E dos músicos Francisco Gileno e Beto Silva, além da presença das então iniciantes Margareth Meneses e Sarajane, de atores como Luís Portugal e Ramom el Bachá, de cineastas como José Humberto e Edgar Navarro, dos mestres poetas Carlos Anísio Melhor e Fred Souza Castro, de mestres populares como Edson Ribeiro, Manoel Almeida e Altamirando Camacan junto com o escritor Oleone Coelho Fontes, políticos como Luiz Nova, Lídice da Mata, Ney Campelo, Fernando Shimidt que participou do programa "Constituinte na Praça".

E numa etapa seguinte nomes como Gilberto Teixeira, Joelsom Meira, Lino Almeida, Edésio Lima, Miguel Carneiro, César Lisboa, Mário Garrido, Mário Oliveira, Agenor Campos, André Piedade, Jurisdeth Castelúccio, Leny Queiróz, Chico Nascimento, Tom di Paula, Douglas de Almeida, Walter César, Lula Miranda, Marcos Peralta, Edgar Velame, Cacau Novaes, só para citar alguns. Mas todo esse esforço contou com o apoio imprescindível do educador Hermano Gouveia, do poeta e professor Jorge Portugal, do professor Edmundo, do poeta e sindicalista professor Zé Wilson Bacellar.

O MPP influenciou diversos poetas que vieram conhecer de perto o que se passava na Praça Nacional da Poesia, como foi batizada a Praça da Piedade, para comemorar o Dia Nacional da Poesia, instituído pelo movimento em homenagem à Castro Alves, na passagem do seu aniversário, 14 de março, e o de Glauber Rocha. Nomes como o do poeta Miltom Aguiar, de São Paulo, do escritor Paulo Lins, do Rio de Janeiro, do poeta Mário Pirata, que levou as lições do movimento para o Rio Grande do Sul, o próprio Zeca de Magalhães que levou a prática do MPP para o Rio de Janeiro, não agüentou e se mudou de uma vez para se integrar definitivamente no movimento com sua Arte Delírio Noturno e seu jornal "A Todo Vapor". Antonio José, poeta do Ceará, recitou com o MPP seus versos onde "lia no eclipse e via no apocalipse" os rumos do que se tornaria o maior e mais importante movimento literário, político e social no Brasil nas décadas de 80 e 90. O jornal "O Inimigo do Rei" publicou o "Manifesto por Poesia Revolucionária" escrito pelos integrantes do movimento dando início à série de textos em torno da criação da Individuação Socialista proposta por alguns de seus integrantes, notadamente os poetas Geraldo Maia e Eduardo Teles, que escreveram o Manifesto Individuação Socialista em Abya Yala, uma série de ensaios sobre o processo de invasão do continente de Abya Yala chamado equivocadamente de América sob o ponto de vista dos invadidos.

O MPP ganha o interior do estado. Eduardo Teles vai para Xique-Xique onde, morando por algum tempo em um banco de praça, inicia um trabalho de organização dos poetas e artistas através de recitais e rodas de leitura além da publicação de antologias. Um outro grupo formado por Zeca de Magalhães, Margareth Castanheiro, Airtom Pires e Geraldo Maia instala-se em Itabuna dando início a uma série de atividades em torno da poesia e da literatura, incluindo a doação de importante acervo para a biblioteca local em formação.

Surgem grupos de poetas faladores de poesia em Barreiras, Simões Filho, Feira de Santana, Camaçari, Cachoeira, Jairo Rodrigues e César Lisboa atuam em Santa Maria da Vitória, Manuka Almeida em Juazeiro, nos bairros o grupo Cabra, de Castelo Branco, o Geafagra, na Fazendo Grande do Retiro atuam em consonância com o MPP. Surgem outros grupos com o mesmo estilo ou inspirados no estilo do MPP a exemplo de Movimento Art Poesia, Estação Poesia, Associação Poetas na Praça, grupo Maccacca, Importuno Poético, enfim, a Praça da Piedade passa a ser realmente o local de encontro e de expressão de todos os movimentos organizados que começam a ganhar as ruas e que vão sendo criados a partir do MPP como o Movimento dos Sem Teto, Movimento GLBT, Movimento Indiodescendente, Movimento Negro, Movimento de Mulheres, e tantos outros que encontraram na Praça da Piedade o legado de libertação e rebeldia que o MPP deu continuidade a partir do levante dos Alfaiates ou Rebelião dos Búzios, dos Malês e do maior mais genial poeta e revolucionário de todos os tempos, Antonio Frederico de Castro Alves.

Grupos de Poesia Falada são formados e passaram a atuar nas praças de outros estados como Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Pará, Ceará, Paraíba, Minas Gerais, Rio de Janeiro (Passe na Praça que a Poesia te Abraça, Poesia simplesmente, etc.), São Paulo, Rio Grande do Sul, enfim, o país todo ganha poetas novos formados na praça, nos recitais nas ruas, feiras, escolas e bares, poetas que perderam o medo de falar, de cantar, de criar, de ousar o próprio grito a partir do exemplo fundamental do Movimento Poetas na Praça.

O Movimento Poetas na Praça completa 30 anos de presença no imaginário popular na Bahia e de total descaso por parte das academias e órgãos públicos. Está prevista para o ano de 2009, de 14 a 21 de março, a realização, depois de 10 anos de lutas, do Festival Latino AfroAbyatalano de Poesia e Literatura (FLAP) simultaneamente em Salvador, Cachoeira e Camaçari para homenagear esse grande movimento poético/social/político e seus dez anos de atividade ininterrupta e para estreitar os laços de amizade entre os povos AbyaYalanos.

10 anos de recitais diários! 30 anos de atividades! Só isso já bastaria para que sua importância fosse realçada, valorizada, reconhecida e pesquisada por todos os cientistas da literatura, da política e dos movimentos sociais. Talvez a partir desse evento se possa começar uma pesquisa capaz de colocar o MPP e seus integrantes no devido lugar de verdadeiros revolucionários da poesia, da sociedade e da política. E viva a Individuação Socialista!

Geraldo Maia, co-fundador do Movimento Poetas na Praça

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Nem Covardes, Nem Vagabundos













"Maurício é Profeta na Beira do Rio"

(Rui Baiano Santana, da musica Nina)







Maurício Ferreira é de Ouricuri (Pe) e se diz exilado em Petrolina, pela repressão sócio-econômica.
Vem de um meio de efervescência poética-musical, que originou também poeta Virgílio Siqueira, Marcílio (do ex- "Grupo Terra") e outros.
Há vários anos escreve Poesia e realiza pesquisa do "Universo da Cultura Popular do Nordeste", possuindo vasto acervo de gravações (fita K7), fotografias, livros, discos, etc.
Num ato feliz e imprescindível, nos invade com sua poesia no mínimo "forte e contundente"

(Parte do Prefácio do Livro Nem Covardes, Nem Vagabundos)



Natureza Humana

Num dia
Adormeço vencido
Entregue
passivo
voltando

No outro
Acordo valente
Vivo

agindo
sonhando

Num dia
me acho envolvido
contrito

perdido

sem resistência

No outro
Decidido
seguro
ágil
sábio, consciência

Num dia
Me esqueço
acomodo, digo não

No outro
Sou operário
militante, vulção

Num dia
Menino acuado
suicida

No outro
Adulto
fôrro
são

Num dia
Me tento
Me seduzo

No outro
Me penso

Me calculo

Num dia
Me sinto impulso

No outro Me sei razão Num dia.......

Maurício comanda a resistência cultural na beira do rio São Francisco, entre Juazeiro (da lordeza) e Petrolina (da passagem), a frente do “famoso” Sebo Rebuliço




quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Caio Fernando



Se estivesse vivo, Caio Fernando Abreu, nascido em Santiago do Boqueirão, cidade do interior do Rio Grande do Sul, teria completado, no último dia 12 de setembro, 60 anos. Caio F. – forma que usava para se auto-intitular, numa referência ao romance Cristiane F. – morreu no dia 25 de fevereiro de 1996, vítima de complicações causadas pela Aids. Rejeitada durante muito tempo pela crítica, a prosa irônica e reveladora de Caio Fernando Abreu exige um olhar atento e um merecido lugar entre os grandes da literatura contemporânea. Filho de uma geração que sofreu com a censura da ditadura militar, Caio Fernando Abreu pertence a uma safra de poetas, contistas e romancistas herdeiros do Modernismo. Entre os anos de 1970 e 1990, a literatura brasileira viveu uma espécie de apoteose criadora. Os poetas marginais, com seus textos mimeografados, aguçaram a irreverência, a sensibilidade e a liberdade de criação dos modernistas. A prosa desse período assistiu a uma consolidação da crônica, do conto e do romance policial e psicológico. O conto, gênero em que Caio passeia com maestria, sofreu grandes transformações. Aos poucos, a estrutura de começo, meio e fim cedeu espaço a uma narrativa preocupada em fotografar instantes, episódios ricos em sugestões e flagras intensamente poéticos sobre a significação humana. Caio Fernando Abreu escreveu poemas, peças teatrais, romances, novelas, crônicas e contos. Todos eles refletindo, de modo bem particular, a angústia, a solidão e a confusão ideológica que marcaram as décadas de 1970, 80 e 90. Embriagado de solidão urbana Em seu primeiro livro de contos, Inventário do Irremediável, publicado em 1970, o escritor gaúcho já apresentava um esboço dos pontos essenciais que marcariam toda sua obra. O gosto por ambientes urbanos, a escrita angustiada e a temática da solidão compõem o quadro das características literárias de Caio, muitas vezes presentes em contos de caráter autobiográfico. Influenciada pela obra de Clarice Lispector, sua narrativa é uma sondagem da angústia e da solidão daqueles que vivem perdidos entre os imensos arranha-céus. Sua prosa introspectiva revela a pressão de se sentir sozinho, esmagado por uma realidade opressiva que não faz a menor questão de estimular alguém a permanecer vivo. Em seus textos, há também a presença de uma radiografia dos sentimentos e das relações amorosas, com especial apego aos deslizes e incertezas. Morangos Mofados e a sensibilidade de um poeta Ainda na década de 1970, Caio publicou mais dois livros de contos: O Ovo Apunhalado (1975) e Pedras de Calcutá (1977). Mas o auge do trabalho como contista só viria com Morangos Mofados, em 1982. Nesta obra, considerada a de maior sucesso, Caio traz à tona todo seu vazio existencial, preenchido por uma escrita mergulhada em astrologia e esoterismo, como demonstram os contos Os Sobreviventes e O Dia em que Urano entrou em Escorpião. Era como se a solidão, tema recorrente em seu trabalho, e o vazio da vida nas grandes cidades pudessem ser ocupados por qualquer coisa que lhe oferecesse a esperança de ser amado. Outra marca importante de Morangos Mofados é a sensibilidade com que Caio aborda em seus contos todas as formas de amor. A singeleza dos relacionamentos amorosos, os rompimentos e o desabrochar das mais variadas emoções renderam contos de uma delicadeza única. Assumidamente homossexual, fez de sua literatura também um espaço de libertação, de amor livre. Em Aqueles Dois, conto que recebeu uma adaptação para o cinema em 1985, o escritor gaúcho conta a história do amor entre dois homens que não podem compreender o tamanho da beleza daquele sentimento mútuo. Outros dois contos ainda abordam essa temática. Terça-Feira Gorda e Sargento Garcia retratam igualmente o preconceito sofrido por homossexuais. Neste último, o autor relata a história da iniciação sexual de um jovem com um sargento do exército. Caio Fernando Abreu ainda publicou outras importantes obras, entre peças de teatro, romances e contos. Os Dragões Não Conhecem o Paraíso, publicado em 1988, traz um conjunto de histórias de amor que mostram um escritor especialista em finais tristes, trágicos e surpreendentes. Dentre seus romances, estão Limite Branco, escrito aos 18 anos, e Onde Andará Dulce Veiga? . Este último, inclusive, levado recentemente para a telona. Um estranho no ninho Talvez parte do desprezo da crítica pela literatura de Caio Fernando Abreu seja pelo fato de o autor não se encaixar nos padrões literários da Academia. Como ele mesmo chegou a dizer, sua obra incorporava o chulo e o não-literário, sendo influenciada bem mais por Cazuza e Rita Lee do que por Graciliano Ramos. Os holofotes dos meios acadêmicos e jornalísticos só começaram a se voltar para o escritor quando ele assumiu, publicamente, numa crônica para o jornal O Estado de São Paulo, ser portador do HIV. A opção pela urbanidade, com constantes referências às ruas do centro de São Paulo, a presença da solidão e de uma narrativa ansiosa e angustiada fizeram de Caio F. um estranho no ninho da tradição literária gaúcha. Misturando a cultura pop e o cotidiano dos personagens, o autor revela o mal-estar da vida, as dores, os desejos não atingidos e os amores frustrados num mundo que parece não ter sido feito sob medida para nós. A literatura de Caio Fernando Abreu desvenda minuciosamente os sentimentos, como uma biografia daqueles que a lêem