segunda-feira, 20 de abril de 2009

I Sarau das Poéticas Indígenas















I Sarau das Poéticas Indígenas é reunir índios, escritores indígenas e de outras origens, clássicos e contemporâneos, cuja obra tenha inspiração indígena de alguma região do Brasil. Poéticas, pois aqui não cabe apenas uma única poética, a ocidental ou aristóteleana, mas sua diversidade que vive nos cânticos, na história oral, no ritual indígena, tendo em comum a inventividade e o encantamento com a palavra e suas possibilidades. Essa reunião de poetas e poéticas pretende dar projeção e ânimo a este ainda singelo movimento intercultural e literário que é o da literatura indígena.
REGIÃO NORDESTE

1. Apresentação dos índios Pataxó do Sul da Bahia Manoel Santana e Zé Fragoso.

Sobre o povo Pataxó: Os Pataxó são o povo que travou o primeiro contato com os portugueses na região de Porto Seguro há 509 anos. Sua trajetória é admirável e demonstra grande adaptabilidade frente às adversidades, capacidade de união em prol de seus direitos e resistência cultural. Hoje, com parte de suas terras reconquistadas, fala-se de uma ressurgência Pataxó, na qual índios idosos e jovens buscam resgatar sua cultura ancestral e reviver sua língua nativa.

Sobre os índios que se apresentam: Manoel Santana é um contador de histórias Pataxó da Aldeia Boca da Mata, próximo à cidade de Itamarajú no Sul da Bahia. Segundo o antropólogo Guga Sampaio é “um proseador desinibido, eloqüente e imaginativo”. Zé Fragoso é cacique da aldeia e escritor indígena da Aldeia Tibá, no Prado, Sul da Bahia.


2. Apresentação do índio Pankararu de São Paulo Bino Pankararu

Sobre o índio: Bino Pankararu é uma liderança dos índios Pankararu que vivem no Real Parque, São Paulo, e cumpre função religiosa em sua cultura. Nascido na Aldeia Brejo dos Padres em Pernambuco, ele é um dos muitos índios imigrantes que vieram para a metrópole num pau de arara fugindo da seca, das invasões de suas terras, em busca de novas alternativas de vida.


3. Apresentação e leitura da escritora indígena Eliane Potiguara*

Sobre a escritora: Indicada em 2005 para o Prêmio Nobel da Paz (Projeto Mil Mulheres do Mundo), Eliane é escritora, autora de METADE CARA, METADE MÁSCARA (Global Editora), professora e ativista indígena. É remanescente Potiguara, coordenadora e fundadora da Rede Grumin de Mulheres Indígenas / Rede de Comunicação Indígena,organização que ganhou o Prêmio Cidadania Internacional da Comunidade Bahai/IRÃ e diretora do INBRAPI (Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual). Sites: http://www.elianepotiguara.org.br/ e http://www.grumin.org.br/.

4. Leitura da poeta Graça Graúna, de Pernambuco

Sobre a poeta: Graça é descendente dos índios Potiguara do Rio Grande do Norte e escritora de ensaios, crônicas e poemas. Atualmente, reside em dois lugares: no litoral e no agreste pernambucano. É graduada, tem especialização, mestrado e doutorado em Letras, tendo dedicado-se aos temas de mitos indígenas na literatura infantil e literatura indígena contemporânea no Brasil. Tem vários livros publicados, o mais recente chama-se Tear da Palavra, de 2007. Mantém um blogue.


REGIÃO NORTE

1. Apresentação do antropólogo Pedro Cesarino sobre os índios Marubo

Sobre os índios Marubo: Os Maurbo vivem no Vale do Rio Javari, próximos à fronteira do Amazonas com o Peru. Algumas de suas aldeias são ainda isoladas, enquanto outras vêm sofrendo interferência da população regional. Têm uma vasta tradição oral identificada por antropólogos. Seus “saitis”, narrativas míticas cantadas, que tratam da formação do cosmos, chamam a atenção pelo seu valor poético.

Sobre o antropólogo: Pedro de Niemeyer Cesarino é graduado em filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor em antropologia social pelo Museu Nacional (UFRJ). Especialista em etnologia e tradições orais ameríndias, vem realizando pesquisas junto aos Marubo do Vale do Javari (AM) desde 2004. É também co-editor da revista literária Azougue e colaborador da Companhia Livre da Cooperativa Paulista de Teatro. Atualmente, é pós-doutorando no Departamento de Letras da Universidadede São Paulo.

2. Apresentação dos índios Eurico Baniwa e Juju Murá de São Paulo

Sobre os índios Baniwa: Os Baniwa são índios do Amazonas que vivem no Alto Rio Negro, tendo como ponto de apoio a cidade de São Gabriel da Cachoeira, cidade brasileira com maior população indígena. A arte Baniwa, particularmente sua cestaria, é conhecida internacionalmente.

Sobre o índio que se apresenta: Eurico Baniwa nasceu na aldeia Baniwa do Rio Içna, do Alto Rio Negro. Formou-se em Filosofia em Manaus, trabalhou com saúde e educação entre os índios Ianomami. Desde 2004 está em SP, aonde estuda Direito e atua no IDET (Instituto das Tradições Indígenas).

Sobre os índios Mura: Os Mura são índios do Amazonas. Contatados nos Século XVIII por uma missão jesuítica que visava se assentar às margens do Rio Madeira e pelo sistema colonial do Grão Pará, os Mura registram longa convivência com a sociedade nacional, história marcada pela escravidão no período colonial e o trabalho semi-escravo para os patrões que monopolizavam o extrativismo da castanha-do-pará na área indígena. Em 1996 a FUNAI deu início à demarcação de suas terras. O povo Mura vive hoje em fraternidade, na margem do Rio Madeira, em harmonia com a mãe terra, cultivando a tradição milenar.

Sobre a índia que se apresenta: Juju Mura nasceu no Amazonas, na comunidade Manaquiri, e veio para São Paulo em 2001 para realizar seus estudos. Formou-se em pedagogia na FAAC, fez docência de ensino superior, é professora e divulga a cultura indígena em Cotia-SP.


3. A declamadora Tatiana Fraga lê obras dos poetas Joaquim Sousândrade e Raul Bopp

Sobre o poeta Joaquim Sousândrade: Joaquim Sousândrade foi um poeta maranhense que viveu no Século XIX que recorreu ao multilinguismo para incorporar o elemento indígena amazônico ao seu poema épico O Guesa Errante (1874). Morreu em São Luis, na miséria e sendo considerado louco. Sua obra veio ser reconhecida por Haroldo de Campos na década de 60.

Sobre o poeta Raul Bopp: Raul Bopp, nasceu no Rio Grande do Sul viveu no início do Século XX. Formado em direito, viajou o Brasil e escreveu sua obra prima, Cobra Norato, sobre a Amazônia. Integrou o grupo paulista do modernismo, cujas correntes verde-amarelas (Pau Brasil) e antropofágicas fez parte.

Sobre a declamadora: Tatiana Fraga é poeta e coordenadora de arte da Casa das Rosas.

4. Leitura da escritora Deborah Goldemberg

Sobre a escritora: Deborah Goldemberg, paulistana, é formada em antropologia e é escritora. Tem diversas publicações de crônicas, poemas e artigos em coletâneas e jornais. É atuante no movimento literário paulistano e curadora do I Sarau das Poéticas Indígenas da Casa das Rosas. Seu primeiro livro, Ressurgência Icamiaba, é uma novela baseada na lenda amazônica das guerreiras Icamiabas, uma neo-lenda multiétnica e transbrasileira. Mantém o blog literário ressurgenciaicamiaba.blogspot.com


SUL E SUDESTE DO PAÍS

Introdução geral aos índios do Sul/Sudeste: Os índios Guarani são naturais do Sul e Sudeste do Brasil, vivendo ao longo do litoral desde o Sul de São Paulo até Santa Catarina. Havia um caminho chamado Pearibu, que os ligava ao Paraguai, aonde viviam seus parentes. Com o avanço da escravidão portuguesa, eles recuaram mais para o Oeste, concentrando-se no Paraguai (Benedito Prezia, 2001). A experiência das Missões Jesuíticas do Século XVII, reduções cristãs criadas nas fronteiras do Brasil com a Argentina e Paraguai, deram margem à uma troca cultural inusitada, pois a arte e a música eram ali altamente valorizadas. Após a destruição das missões, muitos índios foram trazidos para São Paulo como escravos, influindo na cultura mestiça. No início do Século XIX, famílias Guarani começaram a voltar para São Paulo e hoje há três comunidades estabelecidas com cerca de 800 índios vivendo nelas. O Guarani é a língua indígena mais falada no Brasil, com 50 mil falantes. Há 4 dialetos: kaiowá, nhandeva, m’bya e tupi-guarani. No Paraguai, cerca de 3 milhões de pessoas falam o guarani paraguaio.

1. Apresentação dos índios Guarani Nhandeva

Sobre a índia: Poty Porã é professora indígena, estudou na PUC e na Universidade de São Paulo.

Sobre o índio: William Macena é uma liderança indígena e monitor do CECI, Centro Educacional de Cultura Indígena de São Paulo.


2. Leitura do escritor indígena Olivio Jekupe

Sobre o escritor: Olívio Jekupe escreve poesia desde os 15 anos, cursou filosofia na PUC Paraná e na USP. É escritor de diversos livros indígenas e é muito requisitado para palestras sobre a temática, inclusive fora do Brasil. Atualmente vive na Aldeia Krukutu, em Parelheiros, São Paulo, com sua esposa e quatro filhos.


3. A declamadora Nicole Cristófalo lê o escritor José de Alencar e o poeta Gonçalves Dias.

Sobre o poeta: Gonçalves Dias, 1823-1864 é considerado o poeta nacional por excelência, tendo conseguido dar vida ao tema do índio na poesia brasileira.

Sobre o escritor: José de Alencar, nascido em Fortaleza, viveu o Brasil Imperial do Século XIX no Rio de Janeiro e é o grande nome da prosa romântica brasileira. Sua obra tem uma forte linha indigenista que inclui alguns de seus romances mais famosos, tal como O Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1870).

Sobre a declamadora: Nicole Cristofalo é poeta, estudante de Letras da Universidade de São Paulo e colaboradora da revista literária Zunái. Desenvolve uma pesquisa sobre o poeta argentino Oliverio Girondo.


4. O declamador João Pedro Ribeiro relembra o modernismo brasileiro, em parceria com os poetas maloqueiristas Caco Pontes e Berimba de Jesus.

Sobre o poeta modernista: Oswald de Andrade, paulistano, foi líder do movimento modernista brasileiro e promotor da Semana de Arte Moderna em 1922. É de sua autoria o Manifesto Antropofágico de 1928, que criticava o academicismo da arte brasileira e buscava valorizar a cultura brasileira.

Sobre o poeta modernista: Mário de Andrade, paulistano, foi líder do movimento modernista brasileiro e promotor da Semana de Arte Moderna em 1922. Pesquisador de etnografia e folclore, seu romance Macunaíma reelabora temas da mitologia indígena com visões folclóricas da Amazônia e do resto do Brasil; é considerado uma das obras capitais da narrativa brasileira no Século XX e o fundamento de uma nova linguagem literária.

Sobre o declamador: João Pedro Ribeiro é descendente de índios Kaingang do Rio Grande do Sul e italianos. Atualmente, cursa lingüística na Faculdade de Letras da USP, escreve e é um grande entusiasta da literatura indígena. Os poetas Caco Pontes e Berimba de Jesus do movimento maloqueirista participarão da declamação.


5. Leitura do escritor Douglas Diegues, de Assunción

Sobre o escritor: Douglas Diegues é escritor, vive na fronteira do Brasil com o Paraguai e escreve numa linguagem que ele auto-denominou como Portunhol Selvagem, misto de português, espanhol e Guarani, inspirada na linguagem que é de fato falada no contexto intercultural do território em que vive. Tem diversos livros publicados, inclusive uma coletânea de poesias Guarani M’Bya, e mantém um blog.


6. Leitura do poeta Pedro Tostes

Sobre o poeta: Pedro Tostes nasceu no Rio de Janeiro e é poeta do movimento paulistano de “Poesia Maloqueirista” Segundo Antonio Vicente Seraphim Pietroforte, professor da FFLCH-USP, “Os maloqueristas são originais assim: um negro, um branco e um índio; mas não são as três raças tristes, nem pretendem afastar as contribuições da cultura Holandesa no Brasil.” Mantém um blog.


7. O declamador indígena Emerson de Oliveira Souza lê um texto do Pajé Florêncio Portillo de 1993.

Sobre o declamador indígena: Emerson de Oliveira Souza é um índio Guarani Nhandeva, residente em São Paulo.

Sobre o pajé: Pajé Florêncio Portillo é do povo Avá Guarani, ou Guarani Nhandeva. O texto Para Deus somos Todos Iguais foi uma apresentação oral dele para os participantes fizeram no Encontro Nacional de Lideranças Indígenas, em Benjamin Aceval, Paraguai. Diante da diversidade étnica, havida naquele encontro, o pajé Florencio fez uma reflexão sobre a diversidade, que deve encontrar uma unidade em Deus, pai de todos.

Sobre o texto: A tradução do guarani para o espanhol foi feita pelo paraguaio Eri Daniel Rojas e a versão portuguesa foi feita por Benedito Prezia, antropólogo e escritor de diversos livros sobre povos indígenas.


Crédito das fotos: Dede Fedrizzi, fotógrafo, e Alikrim Pataxó, modelo.

Sobre o fotógrafo: Dede Fedrizzi já viveu na Espanha, Grécia, Suiça, Alemanha e os Estados Unidos. Hoje, passa a maior parte do tempo em São Paulo, Brasil. É mestre em Artes Plásticas, pela Universidade de Nova Iorque e tem fotografado publicidade e moda em todo o planeta. http://www.dedefedrizzi.com/

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Adeus ao poeta Jônatas


Poeta, escritor e um dos mais importantes intelectuais do movimento negro brasileiro, Jônatas Conceição, 56 anos, faleceu na manhã de hoje no Hospital da Cidade (Salvador) por conta de um câncer digestivo. O sepultamento serà às 16h30 no Jardim da Saudade. Salvador Bahia
Jônatas atuou em várias frentes na luta contra o racismo e valorização da identidade e culturas negras: movimento social, literatura, Carnaval e academia.
"Jônatas era um poeta profundamente ligado às suas raízes em Saubara. Eu sempre disse que ele vivia 'saubariando' a vida", disse, emocionado, o poeta José Carlos Limeira, um dos grandes amigos de Jônatas e companheiro nas letras.
Jônatas foi um dos militantes pioneiros do Movimento Negro Unificado (MNU) e era diretor do bloco afro Ilê Aiyê onde elaborava os cadernos educativos da instituição. Foi professor da Uneb e desenvolveu sua pesquisa de mestrado sobre a poesia dos quilombos intitulada Vozes Quilombolas – Uma Poética Brasileira, publicada em 2005. Em 2000 publicou em companhia de Lindinalva Barbosa a antologia Quilombo de Palavras- a literatura dos afro-descendentes, dentre outras várias obras.
"Era um guereiro incansável na sua aparente quietude. Acho que era como a própria água, um elemento ao qual ele era muito ligado. Ele ia operando transformações profundas de uma maneira na maioria das vezes silenciosa", destaca o também poeta e grande amigo de Jônatas, Landê Onawale.
A literatura foi o principal veículo do vigor político e guereiro de Jônatas, dono de uma personalidade introspectiva. "Jônatas tinha aquele jeito tímido, calado introspectivo, mas transpirava o amor por suas raízes, pelos orixás e pelo Ilê Aiyê", completa Limeira.
Era nos textos que Jônatas deixava transparecer seu pensamento sobre questões como o racismo e desigualdade."No seu jeito calado ele era radical, no sentido, de como diz sua irmã Ana Célia, de quem segue as coisas com horizontalidade e profundidade, como uma raiz. Neste sentido Jônatas realmente deixou marcas profundas em todos os ambientes nos quais atuou", completa Landê.
Pioneirismo é também uma outra palavra bastante usada pelos amigos para defini-lo. Jônatas era um dos mais freqüentes colaboradores do Cadernos Negros, a mais importante publicação brasileira para divulgação da literatura negra.
Em 2007, numa entrevista a A TARDE sobre o lançamento de uma edição do Cadernos em Salvador, ele disse:"Infelizmente, os escritores negros são ainda vozes marginais, no sentido de não conseguirmos furar o bloqueio editorial brasileiro, que é baseado numa ideologia elitista e branca, também em relação à temática, como se nós, negros, não produzíssemos cultura“.
Guardião do compromisso de contar a história de luta do povo negro ele foi o responsável por compilar textos que contam a história de formação do MNU, na coletânea Movimento Negro Unificado- 1978-1988-10 anos de luta contra o racismo. Jônatas deixa um filho de 12 anos, Kayodê.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

LITERATURA NO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL, Blog "SEMLIVROS"



























Programação:
1ª PARTE

Debate sobre a Produção literária alternativa

Como Editar um Livro

A Importância da Cultura no Fórum Social Mundial.

2ª PARTE

Lançamento do Livro do Prof. Asarias Favacho.
Cotidiano Comum no Incomum:
Chegando a Hora da Saída

3ª PARTE

Apresentação do Compositor e Poeta Nordestino Wilson Aragão, Parceiro Musical de Raul Seixas no grande sucesso Capim Guiné, e tendo suas composições gravadas por Zé Ramalho, Falcão, Tânia Alves, Xangai, Zé Geraldo ...




Local: UFPA.– Campus Básico Auditório Setorial 1




Dia: 30/01 (sexta-feira)




HS.: 19:00hs. ás 20:30 hs.




Atividade do Munícipio de Ananindeua




Coordenação:




Rui Baiano Santana

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Prfº Asarias Favacho um Jovem intelectual estará lançando seu primeiro livro “O Cotidiano Comum no Incomum: chegando na hora da saída."



LANÇAMENTO

SERÁ DIA 17/01/2009 (SÁBADO)
ÀS 19:00 HORAS

LOCAL: AUDITÓRIO DA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE ANANINDEUA.
BR 316 RUA MAGALHÃES AO LADO DO LIDER DA BR 316.


FONE PARA CONTATO 8829-3460 / 88637410

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Prfº Asarias Favacho um Jovem intelectual estará lançando seu primeiro livro em Janeiro “O Cotidiano Comum no Incomum: chegando na hora da saída”





















Sobre o Autor:

Prfº Asarias Favacho um Jovem intelectual estará lançando seu primeiro livro “O Cotidiano Comum no Incomum: chegando na hora da saída.” Nascido em Belém com formação acadêmica em Sociologia e especializou-se em Gestão Educacional: Administração, Orientação e Supervisão Escolar, em 2006 passou a ministrar aulas de Sociologia e história na Universidade Estadual do Maranhão. Em fevereiro ingressou como Mestrando pela Universidade Pública de Évora – Portugal; em Ciência da Educação: Avaliação.
É professor concursado do Município de Belém, desde 1996, em 2007 assumiu o cargo comissionado na Secretaria Estadual de Educação (SEDUC), como Coordenador de Tecnologia Aplicada à Educação, em 2007 participou e coordenou vários grupos de trabalhos nas Conferências Regionais e Estadual de Educação. Em 2008 assumiu o cargo de gerente do Núcleo de Apoio Logístico da Superintendência do Sistema Penitenciário, SUSIPE.
Assarias e um intelectual engajado nas lutas sócias, Foi coordenador por dois mandatos do SINTEPP, Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará,.. e é membro da direção do PT no Município de Ananindeua - Pará.


A Obra:

Esta obra apresenta perfil sócio-literário, com raiz paraense e de um autor que escreve sobre os acontecimentos regionais, sem perder a ternura ou a essência dos fatos, objetivando o prazer literário e a informação sociológica, propiciando a interpretação e a interação com as narrativas, contribuindo com isto para as viagens no mundo real ou no abstrato. Considera também, a participação de várias categorias sociais como os educadores, bancários, ambulantes, rodoviários, policiais, gráficos, desempregados, estudantes... que emprestaram personagens comuns para construírem o Cotidiano Comum no Incomum: chegando na hora da saída.

“Contudo, vale ressaltar que a junção exposta neste livro entre a sociologia e a literatura e/ou da literatura com a sociologia não é simples, nem tão pouco impossível, visto que ambas têm mecanismos metodológicos para explicações do real ou do imaginário, considerando as diversidades filosóficas expostas na sociedade contemporânea.”

Diga-se de passagem o nome da obra é bastante sugestivo para demonstrar as necessidades de se trabalhar com o dia-a-dia dos agentes sociais, apresentando reflexões a respeito das contradições econômicas, culturais... no mundo do trabalho; dos descasos políticos; do trabalho infantil; dos juízos de valores; das questões ideológicas; do abuso de autoridade; da discriminação étnica e social...
No mais aponta alguns questionamentos à construção do conhecimento sócio-literário de forma simples, expressando um roteiro traçado a partir da vivência da personagem principal, um professor, que vive momentos angustiantes como qualquer trabalhador, com um diferencial, a persistência, não desistindo dos seus posicionamentos ou convicções como orientador de formação social, que expõe seu posicionamento, sua visão de mundo, através de diálogos e/ou debates com outras personagens no decorrer do conto.
Uma das qualidades da narrativa está, sem dúvida na lucidez, ousadia e coragem com que aborda questões importantes do nosso tempo. O livro desafia o leitor a olhar o seu cotidiano de modo mais atento, mais crítico.
Edição: Blog “semlivros”
Aquisição antecipada desta Obra.
através do emai-l: zazafavacho@hotmail.com

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

30 anos de Movimento Poetas na Praça.


30 anos de Movimento Poetas na Praça. Por Geraldo Maia
Se tivesse acontecido no Sul Maravilha (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul) o Movimento Poetas na Praça já estaria devidamente canonizado e entronizado como o mais importante movimento literário, social e político acontecido no Brasil depois da Semana de Arte Moderna de 22 que pariu um tanto festivamente o Modernismo brasileiro. Já aquele deu início à Individuação Socialista no campo das artes, da sociedade e da política. Senão vejamos: O MPP tem início em janeiro de 1979 com a tomada da Praça da Piedade pelos poetas que ali instalaram uma trincheira de resistência cultural e diariamente, por uma década (não foi só uma semana), transformou o local no primeiro "Ponto de Cultura" que se tem notícia no país, com a promoção de leitura diária de poemas, textos, manifestos, etc, realizada por poetas, políticos, artistas, e por cidadãos até então sem um espaço para expressar a sua voz e a sua criatividade.

Mas não foi só leitura, teve também a popularização do livro, oferecido em diversas formas práticas e baratas e por diversos meios de impressão, desde o mimeógrafo, à reprografia, e mesmo feitos à mão, artesanalmente. A ordem era tornar o livro acessível a todos. Mas também a literatura baiana, brasileira e universal foi levada para a praça através de exposições biobibliográficas em homenagem a diversos escritores além de leitura de textos dos principais livros dos mesmos. Com isso manteve-se a chama do livro, da leitura e a da literatura acesa na marra, pois os livros de Jorge Amado foram queimados, os de Gregório de Matos proibidos juntos com os de Cuíca de Santo Amaro. Todos os dias, a partir das 16h, todos sabiam que na Praça da Piedade algo de libertário e revolucionário acontecia ao alcance de todos e com a participação de todos.

A Semana de 22 teve nomes como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Tarsila do Amaral, Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo, Alcântara Machado, Plínio Salgado, numa primeira instância e Raul Bopp, Geraldo Ferraz, Patrícia Galvão, Jorge de Lima, Murilo Mendes, numa segunda fase, enquanto que o Movimento Poetas na Praça, em Salvador, Bahia, teve num primeiro momento nomes como Antonio Short, Eduardo Teles, Zeca de Magalhães, Geraldo Maia, Ametista Nunes, Gilberto Costa, Margareth Castanheiro, Ronaldo Braga ao lado de artistas como os dançarinos Tição, Jorge Watusi e Cafuné, os poetas e jornalistas Tony Vasconcelos, Albenísio Fonseca e Fernando Conceição, do poeta e artista plástico Jairo Rodrigues, dos cartunistas Nildão (ilustrou vários trabalhos de Antonio Short) e Caó Cruz Alves (sempre presente em capas e ilustrações das revistas editadas pelo MMP).

E dos músicos Francisco Gileno e Beto Silva, além da presença das então iniciantes Margareth Meneses e Sarajane, de atores como Luís Portugal e Ramom el Bachá, de cineastas como José Humberto e Edgar Navarro, dos mestres poetas Carlos Anísio Melhor e Fred Souza Castro, de mestres populares como Edson Ribeiro, Manoel Almeida e Altamirando Camacan junto com o escritor Oleone Coelho Fontes, políticos como Luiz Nova, Lídice da Mata, Ney Campelo, Fernando Shimidt que participou do programa "Constituinte na Praça".

E numa etapa seguinte nomes como Gilberto Teixeira, Joelsom Meira, Lino Almeida, Edésio Lima, Miguel Carneiro, César Lisboa, Mário Garrido, Mário Oliveira, Agenor Campos, André Piedade, Jurisdeth Castelúccio, Leny Queiróz, Chico Nascimento, Tom di Paula, Douglas de Almeida, Walter César, Lula Miranda, Marcos Peralta, Edgar Velame, Cacau Novaes, só para citar alguns. Mas todo esse esforço contou com o apoio imprescindível do educador Hermano Gouveia, do poeta e professor Jorge Portugal, do professor Edmundo, do poeta e sindicalista professor Zé Wilson Bacellar.

O MPP influenciou diversos poetas que vieram conhecer de perto o que se passava na Praça Nacional da Poesia, como foi batizada a Praça da Piedade, para comemorar o Dia Nacional da Poesia, instituído pelo movimento em homenagem à Castro Alves, na passagem do seu aniversário, 14 de março, e o de Glauber Rocha. Nomes como o do poeta Miltom Aguiar, de São Paulo, do escritor Paulo Lins, do Rio de Janeiro, do poeta Mário Pirata, que levou as lições do movimento para o Rio Grande do Sul, o próprio Zeca de Magalhães que levou a prática do MPP para o Rio de Janeiro, não agüentou e se mudou de uma vez para se integrar definitivamente no movimento com sua Arte Delírio Noturno e seu jornal "A Todo Vapor". Antonio José, poeta do Ceará, recitou com o MPP seus versos onde "lia no eclipse e via no apocalipse" os rumos do que se tornaria o maior e mais importante movimento literário, político e social no Brasil nas décadas de 80 e 90. O jornal "O Inimigo do Rei" publicou o "Manifesto por Poesia Revolucionária" escrito pelos integrantes do movimento dando início à série de textos em torno da criação da Individuação Socialista proposta por alguns de seus integrantes, notadamente os poetas Geraldo Maia e Eduardo Teles, que escreveram o Manifesto Individuação Socialista em Abya Yala, uma série de ensaios sobre o processo de invasão do continente de Abya Yala chamado equivocadamente de América sob o ponto de vista dos invadidos.

O MPP ganha o interior do estado. Eduardo Teles vai para Xique-Xique onde, morando por algum tempo em um banco de praça, inicia um trabalho de organização dos poetas e artistas através de recitais e rodas de leitura além da publicação de antologias. Um outro grupo formado por Zeca de Magalhães, Margareth Castanheiro, Airtom Pires e Geraldo Maia instala-se em Itabuna dando início a uma série de atividades em torno da poesia e da literatura, incluindo a doação de importante acervo para a biblioteca local em formação.

Surgem grupos de poetas faladores de poesia em Barreiras, Simões Filho, Feira de Santana, Camaçari, Cachoeira, Jairo Rodrigues e César Lisboa atuam em Santa Maria da Vitória, Manuka Almeida em Juazeiro, nos bairros o grupo Cabra, de Castelo Branco, o Geafagra, na Fazendo Grande do Retiro atuam em consonância com o MPP. Surgem outros grupos com o mesmo estilo ou inspirados no estilo do MPP a exemplo de Movimento Art Poesia, Estação Poesia, Associação Poetas na Praça, grupo Maccacca, Importuno Poético, enfim, a Praça da Piedade passa a ser realmente o local de encontro e de expressão de todos os movimentos organizados que começam a ganhar as ruas e que vão sendo criados a partir do MPP como o Movimento dos Sem Teto, Movimento GLBT, Movimento Indiodescendente, Movimento Negro, Movimento de Mulheres, e tantos outros que encontraram na Praça da Piedade o legado de libertação e rebeldia que o MPP deu continuidade a partir do levante dos Alfaiates ou Rebelião dos Búzios, dos Malês e do maior mais genial poeta e revolucionário de todos os tempos, Antonio Frederico de Castro Alves.

Grupos de Poesia Falada são formados e passaram a atuar nas praças de outros estados como Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Pará, Ceará, Paraíba, Minas Gerais, Rio de Janeiro (Passe na Praça que a Poesia te Abraça, Poesia simplesmente, etc.), São Paulo, Rio Grande do Sul, enfim, o país todo ganha poetas novos formados na praça, nos recitais nas ruas, feiras, escolas e bares, poetas que perderam o medo de falar, de cantar, de criar, de ousar o próprio grito a partir do exemplo fundamental do Movimento Poetas na Praça.

O Movimento Poetas na Praça completa 30 anos de presença no imaginário popular na Bahia e de total descaso por parte das academias e órgãos públicos. Está prevista para o ano de 2009, de 14 a 21 de março, a realização, depois de 10 anos de lutas, do Festival Latino AfroAbyatalano de Poesia e Literatura (FLAP) simultaneamente em Salvador, Cachoeira e Camaçari para homenagear esse grande movimento poético/social/político e seus dez anos de atividade ininterrupta e para estreitar os laços de amizade entre os povos AbyaYalanos.

10 anos de recitais diários! 30 anos de atividades! Só isso já bastaria para que sua importância fosse realçada, valorizada, reconhecida e pesquisada por todos os cientistas da literatura, da política e dos movimentos sociais. Talvez a partir desse evento se possa começar uma pesquisa capaz de colocar o MPP e seus integrantes no devido lugar de verdadeiros revolucionários da poesia, da sociedade e da política. E viva a Individuação Socialista!

Geraldo Maia, co-fundador do Movimento Poetas na Praça