quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Nem Covardes, Nem Vagabundos













"Maurício é Profeta na Beira do Rio"

(Rui Baiano Santana, da musica Nina)







Maurício Ferreira é de Ouricuri (Pe) e se diz exilado em Petrolina, pela repressão sócio-econômica.
Vem de um meio de efervescência poética-musical, que originou também poeta Virgílio Siqueira, Marcílio (do ex- "Grupo Terra") e outros.
Há vários anos escreve Poesia e realiza pesquisa do "Universo da Cultura Popular do Nordeste", possuindo vasto acervo de gravações (fita K7), fotografias, livros, discos, etc.
Num ato feliz e imprescindível, nos invade com sua poesia no mínimo "forte e contundente"

(Parte do Prefácio do Livro Nem Covardes, Nem Vagabundos)



Natureza Humana

Num dia
Adormeço vencido
Entregue
passivo
voltando

No outro
Acordo valente
Vivo

agindo
sonhando

Num dia
me acho envolvido
contrito

perdido

sem resistência

No outro
Decidido
seguro
ágil
sábio, consciência

Num dia
Me esqueço
acomodo, digo não

No outro
Sou operário
militante, vulção

Num dia
Menino acuado
suicida

No outro
Adulto
fôrro
são

Num dia
Me tento
Me seduzo

No outro
Me penso

Me calculo

Num dia
Me sinto impulso

No outro Me sei razão Num dia.......

Maurício comanda a resistência cultural na beira do rio São Francisco, entre Juazeiro (da lordeza) e Petrolina (da passagem), a frente do “famoso” Sebo Rebuliço




quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Caio Fernando



Se estivesse vivo, Caio Fernando Abreu, nascido em Santiago do Boqueirão, cidade do interior do Rio Grande do Sul, teria completado, no último dia 12 de setembro, 60 anos. Caio F. – forma que usava para se auto-intitular, numa referência ao romance Cristiane F. – morreu no dia 25 de fevereiro de 1996, vítima de complicações causadas pela Aids. Rejeitada durante muito tempo pela crítica, a prosa irônica e reveladora de Caio Fernando Abreu exige um olhar atento e um merecido lugar entre os grandes da literatura contemporânea. Filho de uma geração que sofreu com a censura da ditadura militar, Caio Fernando Abreu pertence a uma safra de poetas, contistas e romancistas herdeiros do Modernismo. Entre os anos de 1970 e 1990, a literatura brasileira viveu uma espécie de apoteose criadora. Os poetas marginais, com seus textos mimeografados, aguçaram a irreverência, a sensibilidade e a liberdade de criação dos modernistas. A prosa desse período assistiu a uma consolidação da crônica, do conto e do romance policial e psicológico. O conto, gênero em que Caio passeia com maestria, sofreu grandes transformações. Aos poucos, a estrutura de começo, meio e fim cedeu espaço a uma narrativa preocupada em fotografar instantes, episódios ricos em sugestões e flagras intensamente poéticos sobre a significação humana. Caio Fernando Abreu escreveu poemas, peças teatrais, romances, novelas, crônicas e contos. Todos eles refletindo, de modo bem particular, a angústia, a solidão e a confusão ideológica que marcaram as décadas de 1970, 80 e 90. Embriagado de solidão urbana Em seu primeiro livro de contos, Inventário do Irremediável, publicado em 1970, o escritor gaúcho já apresentava um esboço dos pontos essenciais que marcariam toda sua obra. O gosto por ambientes urbanos, a escrita angustiada e a temática da solidão compõem o quadro das características literárias de Caio, muitas vezes presentes em contos de caráter autobiográfico. Influenciada pela obra de Clarice Lispector, sua narrativa é uma sondagem da angústia e da solidão daqueles que vivem perdidos entre os imensos arranha-céus. Sua prosa introspectiva revela a pressão de se sentir sozinho, esmagado por uma realidade opressiva que não faz a menor questão de estimular alguém a permanecer vivo. Em seus textos, há também a presença de uma radiografia dos sentimentos e das relações amorosas, com especial apego aos deslizes e incertezas. Morangos Mofados e a sensibilidade de um poeta Ainda na década de 1970, Caio publicou mais dois livros de contos: O Ovo Apunhalado (1975) e Pedras de Calcutá (1977). Mas o auge do trabalho como contista só viria com Morangos Mofados, em 1982. Nesta obra, considerada a de maior sucesso, Caio traz à tona todo seu vazio existencial, preenchido por uma escrita mergulhada em astrologia e esoterismo, como demonstram os contos Os Sobreviventes e O Dia em que Urano entrou em Escorpião. Era como se a solidão, tema recorrente em seu trabalho, e o vazio da vida nas grandes cidades pudessem ser ocupados por qualquer coisa que lhe oferecesse a esperança de ser amado. Outra marca importante de Morangos Mofados é a sensibilidade com que Caio aborda em seus contos todas as formas de amor. A singeleza dos relacionamentos amorosos, os rompimentos e o desabrochar das mais variadas emoções renderam contos de uma delicadeza única. Assumidamente homossexual, fez de sua literatura também um espaço de libertação, de amor livre. Em Aqueles Dois, conto que recebeu uma adaptação para o cinema em 1985, o escritor gaúcho conta a história do amor entre dois homens que não podem compreender o tamanho da beleza daquele sentimento mútuo. Outros dois contos ainda abordam essa temática. Terça-Feira Gorda e Sargento Garcia retratam igualmente o preconceito sofrido por homossexuais. Neste último, o autor relata a história da iniciação sexual de um jovem com um sargento do exército. Caio Fernando Abreu ainda publicou outras importantes obras, entre peças de teatro, romances e contos. Os Dragões Não Conhecem o Paraíso, publicado em 1988, traz um conjunto de histórias de amor que mostram um escritor especialista em finais tristes, trágicos e surpreendentes. Dentre seus romances, estão Limite Branco, escrito aos 18 anos, e Onde Andará Dulce Veiga? . Este último, inclusive, levado recentemente para a telona. Um estranho no ninho Talvez parte do desprezo da crítica pela literatura de Caio Fernando Abreu seja pelo fato de o autor não se encaixar nos padrões literários da Academia. Como ele mesmo chegou a dizer, sua obra incorporava o chulo e o não-literário, sendo influenciada bem mais por Cazuza e Rita Lee do que por Graciliano Ramos. Os holofotes dos meios acadêmicos e jornalísticos só começaram a se voltar para o escritor quando ele assumiu, publicamente, numa crônica para o jornal O Estado de São Paulo, ser portador do HIV. A opção pela urbanidade, com constantes referências às ruas do centro de São Paulo, a presença da solidão e de uma narrativa ansiosa e angustiada fizeram de Caio F. um estranho no ninho da tradição literária gaúcha. Misturando a cultura pop e o cotidiano dos personagens, o autor revela o mal-estar da vida, as dores, os desejos não atingidos e os amores frustrados num mundo que parece não ter sido feito sob medida para nós. A literatura de Caio Fernando Abreu desvenda minuciosamente os sentimentos, como uma biografia daqueles que a lêem

sexta-feira, 27 de junho de 2008

ENTRE SEM BATER


Livro de Rui Santana 'Entre Sem Bater - Ditos e Não Ditos' revive o talento do Barão de Itararé.

E o Humor e ironia dos dias atuais (Edição Sem livros)O escritor baiano Rui Santana decidiu que seu quarto livro seria uma homenagem a um ídolo, o escritor e jornalista gaúcho Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, mais conhecido como Barão de Itararé, pseudônimo com o qual assinou muitos textos em publicações um tanto quanto irreverentes. O livro “Entre Sem Bater - Ditos e Não Ditos” (assinado por Rui como “Barão de Irará”, uma referência ao município onde nasceu.
O Barãom conhecido por ser uma figura carismática e sarcástica a cada opinião lançada, suas frases, sempre carregadas de conteúdo nas entrelinhas, se tornaram famosas. “Ele era um jornalista e humorista, por assim dizer, dos anos 20, 30, 40. Ele sempre falava de política de uma forma que atingia a todos, porque colocava uma dose de humor nas críticas que fazia. Além disso, foi o primeiro a chamar atenção para o problema da febre aftosa, e chegou até a estudar sobre o assunto”, revela Rui, contando também que o “Barão” chegou a entrar na escola de Medicina, mas abandonou os estudos no quarto ano por conta de um derrame que sofreu.O livro de Rui, como ele mesmo diz, fala sobre tudo. “Fala de política, de futebol, da Bahia, do carnaval e tem até receitas de comida. E isso tudo misturado com charges do Daniel Silva, pra tornar o livro mais atraente, mais leve. Esse ano o ‘Barão’ completa 35 anos de morte, e eu quero, com esse livro, mostrar o quanto os textos dele ainda são atuais, como ele tinha esse dom de saber falar sobre vários assuntos sem se tornar chato, quadrado ou entediante. O bom humor, a ironia e o sarcasmo eram as armas dele na hora de mostrar a realidade do país nos textos que escrevia”, reforça o autor. para

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O Poeta Miguel Lucena

"Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado"

Meu perfil

Meu nome é Miguel Lucena,
o Miguezim de Princesa,
saio espalhando alegria
para espantar a tristeza;
no entulho da feiúra
boto um rio de beleza.


Meu pai é Migué Fotogra,
minha mãe é dona Emília,
minha casa é de oito irmãos,
meu filho é uma maravilha,
minha mulher é meu amparo,
meu coração é família.

Concursado delegado,
há duas décadas jornalista,
vivo a escrever versos tortos,
inspirado em repentista,
a quem me chama doutor:
em sou mesmo é cordelista.

blog. http://miguellucena.zip.net

segunda-feira, 5 de maio de 2008

karl marx em nat


KARL MARX!

Na data calendário de hoje, 5 de maio de 1818 -há 190 anos- nascia em Tréveris, Alemanha (Renânia-Palatinado), Karl Heinrich Marx.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Alcir Matos "Negro Encontro"



Alcir Matos é fibra, é verbo rasgando a emoção dos preconceitos alheios: é verso rompendo nas rimas a inspiração de qualquer supressão que o outrem possa LHE impingir.Basta despir a fantasia que empalidece nossas raízes, para mergulharmos de vez na poesia simples, concisa e direta que esse autor descendente de africanos, como qualquer um de nós, brancos mestiços, nos traz dos navios negreiros, dos primórdios da história para um Negro Encontro. Nancy de Azevedo Soares
Livro: Negro Encontro

Autor: Alcir Matos

Ano: 1987

A venda no Cendenpa-Belém do Pará.

Alcir Matos é paraense militante de esquerda. Fundador do PT fez parte da direção deste partido, foi diretor da Secretaria de Habitação e da Companhia de Saneamento de Belém-SAAEB. Hoje faz parte da direção Nacional do Movimento pela Moradia e mora no Pará, onde o Partido dos Trabalhadores governa o Estado. Matos "Negão" como é conhecido, filho de Didi e de Ogum, está desempregado mas não perde a dignidade.

"Sou o negro Cristo

adormecido e bruto.

Contigo, percorro em sonho o meu amanhecer.

Talvez não consigamos o novo negro Cristo,

mas meus descaminhos contigo vou viver."

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

"A Poesia Contemporânea de Ananindeua" A Poesia urbana na Amazônia


RASGA O PEITO E SOLTA O VERSO...

Texto de "Nato Azevedo"

Com esse "chavão" 2 repentistas do Nordeste gravaram (nos anos 80) um dos melhores discos dessa categoria artística.
Também nós, poetas de Ananindeua, decidimos abrir o coração e lançar ao espaço nossas emoções, anseios e angústias. Sem medos, sem culpas, sem considerações exageradas pela opinião de doutos e mestres da "poemática", sem apoios nem patrocínios, por mínimos que fossem.

Com a raça dos desamparados, com a garra dos desprezados, com a coragem dos excluídos... lá vamos nós, num VÔO LIVRE sem rumo definido nem volta programada.
Poesia contemporânea, sim, "rente que nem pão quente" com os fatos & coisas da Vida, POESIA URBANA feita numa Amazônia prêsa -- em têrmos literários (ou culturais, pelo menos) -- a bôtos, yaras, mapinguaris, matas e águas.

Esta obra passa ao largo dos temas folclóricos locais ou prescinde deles, voltados que estão os Autores todos para dentro de si mesmos, analisando-se antes de olharem o Mundo.
Atnágoras Lopes/"Nato" Azevedo/Emanuel Eric/Nádia Maria/Wilson Santos e a Mariazinha voam em conjunto nas asas da Poesia, fazendo História num Município por vezes tão árido para a Cultura ou, com absoluta certeza, para a Literatura.

"O Artista é a ANTENA de sua raça", receptor e transmissor vilipendiado e discriminado dos sonhos e ideais dela. Somos tocha ardente/pedra veloz/água de nascente/lava atroz... a tornar cinza e pó os horrores & terrores da Humanidade suicida.
Enquanto COLETÂNEA "A Poesia Contemporânea de Ananindeua" é obra INÉDITA em terras ananins, graças ao esforço solitário do baiano Rui Santana, através da Editora independente SEMLIVROS (http://www.semlivros.blogspot.com/), enquanto os que podem e devem difundir Cultura (e livros) dormem em berço esplêndido.

EM TEMPO: o escritor "NATO" AZEVEDO agradece sensibilizado o repetido apoio da ESMAC - Escola Superior Madre Celeste (Cidade Nova 8) ao seu trabalho poético, inclusive na presente obra.
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